Blog do Mario

2009/09/02

Acabei de morrer, agora é a vez de vocês

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 4:08 pm

Rascunho sobre Atos 1.8

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”.

Quando recitamos ou lemos esse verso do primeiro capítulo do livro de Atos, enfatizamos o vocábulo grego dynamis de tal forma que perdemos de vista outra palavra imprescindível para a correta compreensão dessa famosa passagem: testemunha.

Dynamis pode ser traduzido por poder, virtude, dinamismo e lançando nesse texto bíblico um olhar neopentecostal, empresarial, capitalista (…), acabamos alimentando o deus deste século e todas as suas formas de desejos já apontados quase dois mil anos atrás pelo Apóstolo João, em sua primeira carta. Concupiscências.

Testemunha é martyrios no texto grego original, é aquele que, se for preciso, morre pela causa, dá literalmente a sua vida por aquilo que acredita. Encontrei essa excelente definição no Blog Assim Mesmo: “O mártir é aquele que, podendo escapar, não o faz. É testemunha da sua própria entrega.”

Vivendo no natural (na carne como dizemos), não teríamos condições de enfrentar a morte defendendo Jesus e seu Evangelho. Então Ele diz “fiquem cruzem Jerusalém, para receberem poder pra morrer”. Ou então “acabei de morrer… agora é a vez de vocês… porém esperem o revestimento do alto pra que vocês não tenham os valores e bens deste mundo como mais preciosos que Eu e então, dessa forma, não queiram mais morrer”.

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Acabei de morrer, agora é a vez de vocês

Filed under: cristianismo puro — mariogoncalves @ 4:03 pm


Rascunho sobre Atos 1.8

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”.

Quando recitamos ou lemos esse verso do primeiro capítulo do livro de Atos, enfatizamos o vocábulo grego dynamis de tal forma que perdemos de vista outra palavra imprescindível para a correta compreensão dessa famosa passagem: testemunha.

Dynamis pode ser traduzido por poder, virtude, dinamismo e lançando nesse texto bíblico um olhar neopentecostal, empresarial, capitalista (…), acabamos alimentando o deus deste século e todas as suas formas de desejos já apontados quase dois mil anos atrás pelo Apóstolo João, em sua primeira carta. Concupiscências.

Testemunha é martyrios no texto grego original, é aquele que, se for preciso, morre pela causa, dá literalmente a sua vida por aquilo que acredita. Encontrei essa excelente definição no Blog Assim Mesmo: “O mártir é aquele que, podendo escapar, não o faz. É testemunha da sua própria entrega.”

Vivendo no natural (na carne como dizemos), não teríamos condições de enfrentar a morte defendendo Jesus e seu Evangelho. Então Ele diz “fiquem em Jerusalém, para receberem poder pra morrer”. Ou então “acabei de morrer… agora é a vez de vocês… porém esperem o revestimento do alto pra que vocês não tenham os valores e bens deste mundo como mais preciosos que Eu e então, dessa forma, não queiram mais morrer”.

Passado irredutível – Ricardo Gondim

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 2:35 pm

Não transfiro, nem projeto em ninguém e em nada os meus movimentos passados. Arco com as consequências de minha ingenuidade, de minha imaturidade, de minha simplicidade juvenil. Assumo: confundi fé com credulidade. Dediquei-me cegamente a processos de manipulação. Repeti frases de efeito sem a devida crítica. Embarquei em empreendedorismos ideologicamente contaminados. Não culpo ninguém e não cobro. Não guardo ressentimentos. Eu vivi intensamente cada momento e, repito, assumo a minha história.

Eu acreditei nos projetos missionários, que hoje vejo como meras panacéias para levantar dinheiro nos Estados Unidos. Vários esforços de ganhar almas visavam tão somente fortalecer com testemunhos e fotografias, estrategicamente bem batidas, a sede expansionista das denominações.

Eu acreditei que os enclaves missionários eram necessários. Não percebia o enorme preconceito que eles tinham conosco, com a nossa cultura, com a nossa espiritualidade. Enfronhei-me em “cruzadas” evangelísticas e nunca critiquei a instrumentalização dos pobres para que riquíssimas instituições se tornassem ainda mais poderosas. Participei de reuniões com Morris Cerullo, Jimmy Swaggart achando realmente que eram homens de Deus sem ver que eram soberbos e vaidosos.

Ceguei os meus olhos para a politicagem mais infame que percebia na denominação que nossa igreja fez parte. Nunca distingui o Movimento Evangélico do compromisso evangélico com a mensagem de Jesus. Trabalhei à exaustão para que a doutrina do Movimento fosse compreendida pelo maior número de pessoas, acreditando que assim povoaria o céu e saquearia o inferno.

Meus amigos se reduziram aos que comungavam com os meus conceitos. Em nome dessas amizades relevei escândalos éticos. Engoli seco conversas cretinas e conspirações para conquistar mais poder – hoje vejo que fui mais cretino que muitos.

De repente muitas coisas foram pesando em minha alma. Alquebrado e triste com o meu passado, procuro mudar de pele. Preciso da misericórdia divina para lavar as nódoas que mancham o meu caráter. Luto para ser irmão de homens e mulheres de boa-vontade. Tenho que me despedir de mim mesmo, dos ambientes que ajudei a criar e de ex-amigos, que só agora reconheço como meros aliados.

O passado irredutível pode ser reconstruído com decisões que eu tomar no presente. Meu presente não precisa ser mera consequência do que vivi; sequer o futuro, um desdobramento inexorável do presente.

Soli Deo Gloria

Extraído: http://www.ricardogondim.com.br

Vem aí A bacia das almas, de Paulo Brabo

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 12:15 pm

Livro é uma coletânea de mensagens do autor a respeito da vida e suas diferentes facetas

Em novembro, a Mundo Cristão lança A bacia das almas – Confissões de um ex-dependente de igreja, primeira obra de Paulo Brabo pela editora. O livro é uma seleção de mensagens escritas pelo autor em seu blog por um período de cinco anos.

Os textos refletem as angústias e as reflexões do próprio autor sobre diversos temas: igreja, espiritualidade, cultura, literatura, sociedade, cinema, entre outros aspectos que formam o ser humano.

Batizado Paulo Roberto Purim, Paulo Brabo afirma que suas idéias estão condenadas à reformulação eterna, são pensamentos inacabados em constante mutação e evolução.

A expressão que deu título ao blog e também ao livro, “bacia das almas”, refere-se ao recipiente em que são depositadas as esmolas nas igrejas, e que acabou gerando a expressão popular “na bacia das almas”, isto é, vender ou ganhar “no último instante, no calor do momento, sem negociação ou ponderação”.

A bacia das almas não é um tratado anti-igreja, como podem pensar alguns ao notar seu subtítulo. O ex-dependente de igreja Paulo Brabo refere-se ao ativismo exacerbado com o qual esteve envolvido por muitos anos, sob o equívoco de que este envolvimento refletia a profundidade de sua fé e espiritualidade. No livro, há um capítulo destinado a essa justificativa. Nele o autor escreve:

“Preciso confessar que durante trinta anos fui consumidor de igreja.
Durante trinta anos fui dependente de igreja e trafiquei na sua produção.

Devo confessar o mais grave, que, durante esses anos, abracei a crença (em nenhum momento abalizada pela Escritura ou pelo bom senso) que identificava a qualidade da minha fé com minha participação nas atividades – ao mesmo tempo inofensivas, bem-intencionadas e autocentradas – de determinada agremiação. Em retrospecto, continuo crendo em mais ou menos tudo que cria naquela época, porém, contra minha vontade, contra minha inclinação e contra a força do hábito, fui obrigado a abandonar essa crença confortante e peculiar (espiritualidade = participação na igreja institucional).

[…] Ao contrário de alguns, não sinto de forma alguma ter sido abusado pela igreja institucional; sinto, em vez disso, como se tivesse sido eu a abusar dela. Minha impressão clara não é ter sido prejudicado pela igreja, mas de tê-la usado de forma contínua e consistente para satisfazer meus próprios apetites – apetites por segurança, atenção, glória, entretenimento, aceitação.”

As reflexões de Paulo Brabo levarão você a também repensar o seu papel dentro da igreja e na sociedade, a enxergar com outros olhos o mundo em que está inserido.

Fonte: Mundo Cristão

2009/09/01

Oficialmente velho – Leonardo Boff

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 7:27 pm

Neste mês de dezembro completo 70 anos: diz Leonardo Boff.

Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida. Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira.

Esta possui uma dimensão biológica, pois irrefreavelmente o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas.
De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas.

Mas há um outro lado, mais instigante.
A velhice é a última etapa do crescimento humano.
Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino.

Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer e, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer; quando então entramos no silêncio e morremos.

A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer.
Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: “NA MEDIDA QUE DEFINHA O HOMEM EXTERIOR, NESTA MESMA MEDIDA REJUVENESCE O HOMEM INTERIOR”(2Cor 4,16).

A velhice é uma exigência do homem interior.
Muitas vezes perguntamos: Que é o homem interior?
O homem interior é o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical.  Identidade esta que devemos encará-la face a face.
Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe.
Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis:
Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, (inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano), submetido ao “silêncio obsequioso” e outros papéis mais. Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Quando então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos:
Afinal, quem sou eu?
Que sonhos me movem?
Que anjos que habitam?
Que demônios me atormentam?
Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério?
Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior e a resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável.
Este é o verdadeiro desafio para a etapa da velhice.
Então nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina.

Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida.
Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria.
É ilusão pensar que esta sabedoria vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.

Por fim, o que importa preparar o grande Encontro.
A vida não é estruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através da morte.
Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia.
Aí saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.
Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: “contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade”.

Por fim, este jovem ancião alimenta dois sonhos: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa:
“eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver”. Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus.
Parafraseando Camões, completo: Mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.

Leonardo Boff é teólogo

Alienação

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 7:14 pm
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Acordei. Depois do ritual da manhã (lavar o rosto, escovar os dentes, tomar café, ler a bíblia, fazer oração) sai de casa rumo ao trabalho.
Pelo caminho deparei, com o que classificamos a escoria da sociedade. Indigentes, moradores de rua, jogados na calçada, embriagando-se, sem nenhuma perspectiva de vida. Tive dó. Mas logo meu senso moral me fez chegar a seguinte conclusão: a culpa era deles. Bando de vadios, alcoólatras. E assim, prossegui em paz, agradecido a Deus por não ser como eles.
Hora do almoço. Arroz, feijão, carne, salada, refrigerante ou suco. Sobremesa. Senhor Jesus obrigado por essa refeição, foi a oração que acompanhou esse momento sagrado. Logo após encontrei-o: um homem com seus filhos e mulher desempregada, morando de aluguel e salário maravilhoso de R$350, 00. Suas refeições muitas vezes sem a saborosa mistura, as crianças sem o leite para o café da manhã. As crianças ajudando o pai catando papelão e latinha na rua, sem tempo de ir à Escola, praticar esportes, ler livros, ver desenho animado – se não trabalhar não come. Ao ouvir o relato fiquei espantado e indignado com o governo e a sociedade! Culpei-o por fazer tantos filhos, por ser inconseqüente, irresponsável e alienado. E fiquei satisfeito por saber que a vida não esta fácil pra ninguém. Antes de despedi-lo, lhe dei-lhe um folhetim de evangelismo com o endereço da igreja. Nesse, estava escrito que ele era um misero pecador e estava condenado ao inferno. Ficou feliz. Até que enfim encontrou razão para tanto sofrimento. Para o inferno que estava vivendo. A culpa era de Deus.
Ele se foi. E eu agradeci a Jesus por não ter vergonha de anunciar o evangelho. Afinal de contas, que ousadia a minha. Mais um folheto entregue!
Chegando em casa, tomei um belo banho. Entre varias peças de roupa, escolhi a mais nova. Diante a vários pares de sapato, achei um que combinasse com a roupa. Propus-me a jantar, e que jantar abençoado… Em seguida fui à igreja. Orei. Cantei louvores. Li as Sagradas Escrituras. Gritei aleluia, gloria a Deus. Que coração quebrantado. Escutei pacientemente um maravilhoso e longo sermão sobre as bênçãos de Deus por ser seu filho. Após o culto, o comentário habitual – fofoca gospel era sobre ela. 17 anos. Quando criança ate freqüentou a igreja. Agora esta grávida. O pai do bebe. Está preso. Traficante e bandido, tem 18 anos e ainda não tomou rumo. Eles mantêm relações sexuais na cadeia. Culpada é a mãe. Prostituta. Que exemplo deu a filha! E foi ela quem mandou namorar marginal!
Fui pra casa, assistir televisão. Corrupção, desigualdades sociais, mortes, estupros, tráfico, policia invadindo o morro, o morro invadindo a cidade, PCC, mensalão, máfia de sanguessugas. Era o relato do jornal de mais um dia nesse mundo que jaz no maligno. O capeta. A culpa e toda dele.
Antes de deitar, li a bíblia e fiz a oração da noite: “obrigado Jesus por me abençoar tanto, pela salvação. Ah! Quero te fazer um pedido. Preciso ganhar mais no meu emprego para obter mais conforto. Preciso prosperar, afinal sou dizimista fiel…” enquanto orava adormeci na minha confortável e segura casa, no meu colchão de R$900,00.

Fonte: Cartesiano Finito

2009/08/27

Desafios Sociais do século XXI

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 1:36 pm

2009/08/26

Por que desisti de servir os pobres

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 6:56 pm


PAULO BRABO

[…] Observo o quanto a pobreza se entranha na vida dos pobres, e quanto esta somente revela muitas vezes o seu desejo mal sucedido de possuir, de ter acesso ao consumo destruidor de tudo; observo como sua situação se constrói pela sedução das mesmas coisas que seduzem e destróem os ricos. O mesmo individualismo, o mesmo egoísmo, a mesma tendência a sentir-se confortável e identificado com a posse das coisas. E a adesão inegociável a um estilo de vida e modo de pensar que os prende ao mito da necessidade moderna, ao desejo mítico de evoluir e à submissão ao mito do desenvolvimento.

Igualmente a ricos, pobres e remediados estão convencidos de que o que precisam é de algo que o mercado, o dinheiro, o governo ou alguma agência pode lhes oferecer. Que serão felizes com a posse, com a pança cheia (uns com pão, outros com brioches) e com o fluir permanente do dinheiro que tudo pode e tudo resolve. E dentre estes, alguns bem intencionados estendem a mão para “incluir” outros no estilo de vida ou no patamar que alcançaram. À mão estendida de cima para baixo chamamos serviço.

Descobri ao longo dos anos que a própria posição de servir aos pobres, de compromisso com a libertação, estava cheia de superioridade, daquele tipo de superioridade que se traduz por dar ao outro o que eu tenho. Sutilmente, com meus atos, assumo que o que eu tenho ou faço era o que ele deveria ter ou fazer – uma tradução percebida na sutil arrogância das tais políticas de “inclusão”, sempre buscando colocar o outro dentro da caixa onde vivo, incluído no meu estilo de vida.

[…]

Desisti de ajudar os pobres, de servi-los e de salvá-los. E isso porque tenho re-descoberto uma verdade dura: a de que Jesus não tem nenhuma boa notícia para quem serve os pobres. Jesus não veio trazer boas notícias a quem serve os pobres, ele trouxe uma boa notícia aos pobres. Ele não tem nada a dizer a outros salvadores, a quem disputa com Ele o cargo de Messias, de Redentor. A agenda de Jesus só traz uma mensagem aos que se reconhecem pobres, nus, feridos, cansados, sobrecarregados, carentes e sem esperança. Aos demais, sua agenda tem pouco ou nada a oferecer

A única maneira de permanecer com os pobres é se descobrimos que somos nós mesmos os miseráveis. É se reconhecemos a nós mesmos, ainda que bem disfarçados, naquele que está diante de nossos olhos.
Ao encontrarmos neles nossa miséria, ao nos dar-mos conta de nossa carência, da desesperada necessidade de sermos salvos, aí nos encontramos com a agenda de Jesus.

Deus não se apresenta em nossa capacidade de curar, mas em nossa necessidade de sermos curados. Descobrir esta nossa fraqueza nos coloca sem nada para oferecer, servir, doar, mas revela nossa necessidade de sermos amados, curados e restaurados.

Desisti de servir aos pobres. Estou voltando a encontrar os pobres e me encontrar neles. Voltei a descobrir a miséria que se esconde nas vidas bem montadas de nossa falsa segurança. E com isso posso entender o Jesus que fala com leprosos e com ricos homens de negócios, com cobradores de impostos em suas festas e com enfermos miseráveis. Em sua identificação com todos e cada um Ele via o que talvez mais ninguém via: a extrema miséria e pobreza da condição humana, independente de qualquer status ou roupagem social.

Comentário do Brabo

De um texto absolutamente devastador do insubordinado Claudio Oliver. Posso ter de processá-lo por massacrar sem dó as ilusões que venho alimentando tão ternamente há anos.

Leia na íntegra clicando aqui, se tiver coragem de ser visto na rua com Deus.

2009/08/03

Esteja com as vestes sempre alvas e nunca falte o óleo sobre a sua cabeça!

Filed under: vida — mariogoncalves @ 2:55 pm

Quem nunca ouviu uma pregação pentecostal sobre Eclesiastes 9.8 ou pelo menos uma menção fervorosa sobre esse versículo correlacionando com “estar cheio do Espírito Santo? Leia-o abaixo no seu contexto original…dispensa explicações exegéticas…

Há mais uma coisa sem sentido na terra: justos que recebem o que os ímpios merecem, e ímpios que recebem o que os justos merecem. Isto também, penso eu, não faz sentido. Por isso recomendo que se desfrute a vida, porque debaixo do sol não há nada melhor para o homem do que comer, beber e alegrar-se. Sejam esses os seus companheiros no seu duro trabalho durante todos os dias da vida que Deus lhe der debaixo do sol!

Quando voltei a mente para conhecer a sabedoria e observar as atividades do homem sobre a terra, daquele cujos olhos

não vêem sono nem de dia nem de noite, percebi tudo o que Deus tem feito. Ninguém é capaz de entender o que se faz debaixo do sol. Por mais que se esforce para descobrir o sentido das coisas, o homem não o encontrará. O sábio pode até afirmar que entende, mas, na realidade, não o consegue encontrar.

Refleti nisso tudo e cheguei à conclusão de que os justos e os sábios, e aquilo que eles fazem, estão nas mãos de Deus. O que os espera, seja amor ou ódio, ninguém sabe. Todos partilham um destino comum: o justo e o ímpio, o bom e o mau, o puro e o impuro, o que oferece sacrifícios e o que não os oferece.

O que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos acontece com quem teme fazê-los.

Este é o mal que há em tudo o que acontece debaixo do sol: o destino de todos é o mesmo.

O coração dos homens, além do mais, está cheio de maldade e de loucura durante toda a vida; e por fim eles se juntarão aos mortos. Quem está entre os vivos tem esperança; até um cachorro vivo é melhor do que um leão morto! Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos nada sabem; para eles não haverá mais recompensa, e já não se tem lembrança deles.

Para eles o amor, o ódio e a inveja há muito desapareceram; nunca mais terão parte em nada

do que acontece debaixo do sol.

Portanto, vá, coma com prazer a sua comida e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz. Esteja sempre vestido com roupas de festa, e unja sempre a sua cabeça com óleo. Desfrute a vida com a mulher a quem você ama, todos os dias desta vida sem sentido que Deus dá a você debaixo do sol; todos os seus dias sem sentido!

Pois essa é a sua recompensa na vida pelo seu árduo trabalho debaixo do sol. O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria.

2009/07/30

Não verás nenhum país como este: texto do Sérgio Pavarini

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 1:17 pm
“Por que fizeram isso comigo?”, perguntou Galdino Jesus dos Santos aos médicos que o atendiam antes de ficar inconsciente. O índio pataxó dormia num ponto de ônibus em Brasília na madrugada do dia 20 de abril de 1997, quando 5 jovens de classe média resolveram atear fogo nele. “Não sabíamos que era um índio, pensávamos que era só um mendigo”, disseram. Presos e condenados, trabalharam e estudaram fora do presídio. Nesse período, foram vistos várias vezes em bares tomando umas com amigos.

***


Entrar na USP é motivo de puta alegria. No meio do zoeira do trote que aconteceu na noite de 22 de fevereiro de 1999, o calouro
Edison Tsung-Chi Hsueh teve de mergulhar numa piscina. Sem saber nadar, morreu afogado. O Ministério Público denunciou 4 estudantes de Medicina por homicídio qualificado. Advogado de defesa de um dos réus, Márcio Thomaz Bastos teve de abandonar o caso para tornar-se Ministro da Justiça. Começou bem o exercício, mandando sustar o processo. Frederico Carlos Jana Neto, conhecido na época como “Ceará”, hoje é médico especializado em ortopedia/traumatologia e atende na Zona Lost paulistana. De traumas ele entende bem.

***


Passou o inverno sem companhia, garotão? Seus problemas estão para acabar. Falta pouco para você cruzar com
Suzane Von Richthofen por aí nas quebradas. Parecer da penitenciária considerou-a “presa exemplar” e ela pretende em pouco exibir seu bom comportamento fora do xilindró. A loira já cumpriu um sexto da pena por conta de uma bobagenzinha que aprontou acompanhada do namorado, o que lhe dá direito a pleitear o regime semiaberto. Dura lex só aqueles indefectíveis pratos âmbar,baby.

***


Os caminhos divinos são insondáveis. Depois que a bispa Cleycianne disse que ela e o Estevam foram presos para
evangelizar o terceiro cabra mais procurado pelo FBI, minha fé deu (com cacófato) uma guinada. Que felicidade ver o agir sobrenatural também na vidinha do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho. Acho até que ele queria voar como anjos quando estava dirigindo alcoolizado a 190 km por hora. Nem dá pra evocar Drummond e dizer que havia duas vidas no meio do caminho. “Agradeço a Deus pela vida e a todos que estão orando por mim”, diz o outdoor que decorou as ruas de Guarapuava (PR) por duas semanas. O papai de Fernandinho disse que ele deve voltar à política. Ambiente perfeito para gente dessa laia.

***


Maluf, Elias Maluco, Casal Nardoni, os 5 playboyzinhos que agrediram a doméstica carioca “porque parecia prostituta”… A lista de exemplos é sobremaneira extensa e provocaria inevitável laceamento escrotal. O fato é que de tempos em tempos aparece “uma vítima ocasional, que se converte no objeto do ódio de todos e passa a ser por reconhecimento unânime o bode expiatório”, na explicação do filósofo francês René Girard. Alguém pensou no José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, atual alvo do emputecimento verde-amarelo?
Yes, esse é o nome de batismo do presidente do Senado, hoje mais evocado por menções nada honrosas à sua progenitora.

***


Prezaria saber o que se passou na mente de um cara-pintada após ver a foto recente do Lula e o Collor se abraçando. Hoje me penitencio pelos adjetivos que dirigi na época àquela molecada. Afinal, hoje os nossos protestos usam técnicas de viral e nem precisamos tirar a bunda mole da cadeira para qualquer ação. Os coquetéis molotov dos protestos na década de 60 evoluíram para modernas
hashtags. Basta um #forasarney para sermos invadidos por aquele sentimento de dever cumprido. Após a catarse via twitter, podemos voltar ao nosso liliputiano mundo pequeno-burguês e distrair as pessoas com textos tão genuinamente rebeldes quanto o Supla.

***


Rememorar esses casos me deixou com o sangue em ebulição, agravada pela certeza de que o sentimento se extinguiria em alguns minutos. Ao comentar a morte de judeus no holocausto, o escritor Avishai Margalit ajuda a compreender esse tipo de desconforto: “Esquecer a morte deles seria o mesmo que tirar-lhes a vida pela segunda vez”. Bingo. Daqui a pouco estaremos ocupados com a estreia do Gugu na TV Record, celebraremos mais um título do Verdão e creditaremos os males do mundo à Dilma. Enquanto isso, Sarney estará na Ilha de Curupu curtindo tudo o que este país abençoado por Deus proporcionou ao seu clã nesta e nas gerações vindouras.

Imortal da Academia de Letras, quem sabe o maranhense se aventure a ler um pouco de Olavo Bilac para os petizes da família, terminando o momento literário com a frase quase épica de João Ubaldo Ribeiro: Viva o povo brasileiro!

Sérgio Pavarini de M#®d@


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