Blog do Mario

2009/05/18

Duas coisa que gostaria de ter falado…

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 2:49 pm

Gostaria de ter dito:

É tempo de festa na Igreja?

Disse J.I.Packer, “Put Holiness First”, em Christian Life, maio de 1985, p.46:”No final das contas, sobre o que é que pregamos e ensinamos e produzimos programas de TV e fitas de vídeo uns para os outros em nossos dias?

A resposta geral à minha pergunta parece ser: sucesso e euforia ; obter de Deus saúde, prosperidade, ausência de preocupação e constantes sensações alegres.”O que mais me dói quando leio obras de homens e mulheres realmente usados por Deus é que parecem serem ditas ao vento.
Estou lendo René Padilha (Missão Integral) – e seu texto de 75, refletindo um problema atual (em seus dias), infelizmente continua ainda mais atual hoje. O mesmo se dá com Moltmann (64 – teologia da Esperança), com Tozer (qualquer coisa, década de 60), e por aí vai.Packer, assim como outros é atualíssimo, pois há uma enxurrada de “palavra” sendo pregada, uma verborragia, nas palavras de Padilha, com resultados pífios. Mas em nome do pragmatismo, e do proselitismo descarado (com frases do tipo: “aqui Deus cura…” – está na hora de curar teu orgulho, caro “apóstolo”), em nome de templos cheios (de dizimistas, e números – “sucesso ministerial” – vaidade das vaidades), em nome do interesse espúrio e falso, vemos uma pregação vazia de prática e autenticidade; e tão verdadeira quanto uma nota de R$2,50.

Uns podem dizer que estou errado. Não vou discorrer muito sobre a questão, mas apenas 3 pontos:

1- Se o “evangelho” está crescendo, e o número de convertidos aumentando, por que o nível de analfabetismo, não diminui? Por que o número de crimes não diminui? Por que o número de políticos cristãos com testemunho de moral elevada não aumenta? Por que não se gasta menos em programas de televisão, som de igrejas e ar-condicionado de templos, e se investe mais em ação social? Quem separou o evangelho da ação social? Cristo, muito mais que anunciando o evangelho, mostrou-se sempre solidário com os necessitados

leia o texto na íntegra aqui: PavaBlog ou no link abaixo.

Alberto M de Oliveira do Blog Ecclesia Reformanda

Eu não culpo o Régis Danese

Eu não culpo o Régis Danese. Nem tão pouco os cantores “gospel”. Penso que de certa forma eles são fruto de um sistema, são apenas a ponta do “iceberg”. O buraco é mais embaixo.Desde que alguém descobriu que gravar músicas cristãs, evangélicas, gospel (ou chame como quiser) dava muito dinheiro, a coisa toda se perdeu. Criou-se um mercado que para sobreviver precisa de lucros, e isso a qualquer custo. Não precisa ser cristão. Não precisa crer no que se canta. Não precisa ter compromisso. E, pasmem, nem sequer precisa cantar bem! Precisa apenas dizer as palavras certas no momento certo, na igreja ou convenção certa e pronto! Os cd´s e dvd´s vão sendo vendido ás turras e a conta bancária vai engordando. Mas onde começa tudo isso?Começa na cabeça dos pastores desse pessoal. Começa na liderança da Igreja onde eles congregam. Sim, porque conceitos são ensinados e absorvidos, não caem do céu. Esse pessoal é estimulado a ser “cantor” do Senhor, e colocam na cabeça deles que o sonho maior a ser conquistado é gravar o cd/dvd, e assim será mais fácil “conquistar o Brasil”. Esses líderes moldam a mente e o coração dos pupílos, a ponto de mesmo sem entender nada da matéria, vemos que tal cd/dvd teve a sua produção executiva pelo pastor/bispo/apóstolo fulano de tal.Os pastores e líderes na verdade dão corda ao desejo de fama desses pobres discípulos, que acabam caindo na tentação e trilham o caminho da “fama evangélica”.

Soma-se a isso nós, um bando de tontos que ouvimos, compramos, assistimos, gravamos, pagamos e divulgamos esse mercado nojento da música gospel/evangélica/cristã, que de santa não tem nada. Nós temos culpa nisso tudo. Pagamos milhares de reais para que esses caras cantem em nossas igrejas, damos a “oportunidade” e o microfone para que eles ensinem (e mal!) os nossos irmãos. Pagamos suas passagens de avião; atendemos às suas absurdas exigências para participarem por 30 minutos contados no relógio das nossas atividades.

Nós somos os culpados. Se eles existem é porque nós consumimos.
Por isso, não culpo o Régis Danese e Cia Ltda.
Reconheço a minha parcela de responsabilidade.

Maurício Boehme no Eletroacústico

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2009/04/28

Mãe – privilégio dado por Deus

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 2:56 pm

Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em começar uma família. Nós estamos fazendo uma pesquisa, ela diz, meio de brincadeira. Você acha que deveria ter um bebê?
Vai mudar a sua vida, eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.

Eu sei, ela diz, nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas…
Mas não foi nada disso o que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela.
Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais de grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.
Eu penso em alertá-la que ela nunca mais irá ler um jornal sem se perguntar E se tivesse sido o MEU filho? Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para as suas unhas com a manucuri impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzi-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote.
Que um grito urgente de Mãe! fará com que ela derrube seu suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro de seu bebê.
Ela vai ter que usar cada milímetro de seu disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que seu bebê está bem. Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina.

Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonalds se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.
Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe. Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho.
Que ela a daria num segundo para salvar a sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida – não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles. Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra. O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa.
Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar talco num bebê ou que nunca hesita em brincar com o seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.
Eu gostaria que a minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e os motoristas bêbados. Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente na maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

Eu quero descrever para a minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza de minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

“Você jamais de arrependerá”, digo finalmente,. Então estico a minha mão sobre a mesa, aperto a mão de minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus… que é ser Mãe.
Autor Desconhecido
Minha homenagem à todas as mulheres, especialmente a minha amiga e esposa Sueli, mãe da doce Maria Heloísa…

2009/04/13

Elienai Cabral Junior

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 8:25 pm

Texto do Elienai Cabral Junior, pastor da AD Betesda Fortaleza, no aniversário de 15 anos da sua filha…sem comentários…

As melhores memórias são sempre afetivas. Têm cor. Tem cheiro. Tem sentimento.
Quinze anos de Ana Clara é uma experiência sagrada. Sinto o cheiro doce do corpinho ainda lambuzado do útero. Depois de (des)esperar no corredor pelo nascimento e primeiro encontro com a minha Clarinha, ainda vejo o seu rostinho vermelhíssimo de vida e de choro. Trazido pela enfermeira, uma desproporção. O enorme colo da “Frida” e o corpinho tão frágil da Clarinha. Seu choro cessou tão logo me ouviu dizer: Oi, filhinha, é o papai! Já quieta, nos meus braços, abriu os olhos. Sei que só via vultos. Mas seu coração, tenho certeza, enxergava o papai com quem conversou durante toda a gravidez. Sua serenidade e delicadeza não foram suficientes para acalmar meu coração em taquicardia. Tive que devolvê-la para a enorme “Frida” para tê-la comigo depois e quase pra sempre.
Enquanto escrevo deve ter um cisco no meu olho. Ele insiste em lacrimejar! As cenas passam rápido na minha lembrança. Mas quero parar bem aqui. Nas tardes frescas da Praia do Futuro. Depois de um longo dia de uma agenda maluca, cumprida pela Clarinha fielmente ao lado do papai e da mamãe. Corria em casa, arrumava-nos rápido e íamos para um fim de tarde na praia. Já com dois anos, as perninhas roliças corriam pela areia, com um bracinho flexionado junto ao peito e o outro se movendo como que empurrando o vento para trás, coisa de quem tem pressa de viver. De longe, como que contemplando o melhor da vida, assistia à dança do nosso bebê sobre a areia da praia, iluminada pelos fracos e amarelados raios de sol. Lembro disso como quem degusta um bom vinho. Inebriado pelo gosto da vida. Sinto saudade do meu bebê.
Gostava de cantarolar seu nome, flexionando-o em diversas formas: “Clarinha, Clarita, Clariteira”. Seu riso fazia de mim um compositor incontrolável. Mas a melhor das farras era a de balançá-la segurando pelos tornozelos. Pra lá e pra cá para o desespero da vovó e o êxtase da Clarinha.
Tenho outra memória inconfundível, com gosto de camarão e o som do “Eu só quero chocolate” na voz de Tim Maia. Em Curitiba, no início das noites de todas a sextas-feiras, tínhamos um encontro marcado. Era a noite do papai fazer o melhor espaguete com camarão da cidade. Mas o melhor do prato era o preparo. Enquanto cozinhava, a Clarinha, já com os seus oito anos, colocava no som o Tim Maia cantando a nossa música. Cantávamos aos berros e dançávamos freneticamente na espaçosa cozinha do sobrado no Jardim das Américas. Seus olhos amendoados quase saltavam para fora.
Sinto saudade dessa Clarinha que mudou. Mas, confesso, estou deslumbrado pela mulher que vejo surgir. Não me atrevo mais às cócegas, nem aos beijos na barriga para arrancar suas mais gostosas gargalhadas. Seus lindos contornos de mulher agora se tornaram limites que antes não existiam. Agora só posso reverenciar o que vejo e torcer para que de vez em quando ela ainda queira um pouco de colo. Olho pra ela e mal consigo disfarçar minha admiração. Seus olhos graúdos são irresistíveis. Sua perspicácia em discernir as coisas a sua volta me enche de orgulho. Sua recente adesão ao meu flamengo, cujos jogos agora insiste em ver ao meu lado, é o melhor da festa. Sua alegria em estar com os amigos da Betesda e as várias programações da igreja acalma meu coração medroso.
Ela se tornou a Cacá da Gabriela e do Thales e a Ana Clara que desponta nos quinze anos cheia de beleza e personalidade. Hoje, sei o quanto gostava, apesar de me queixar, da pegação de pé da Clarinha. Mal conseguia ficar sozinho com a Bete. Agora cheia de amigos e gostos diversos, prefere a autonomia. É preciso partir. Deve ir. Fazer suas escolhas. Administrar suas mágoas. Descobrir outras alegrias. Construir seu destino. E voltar sempre que quiser.
Filha, divirto-me vendo-a tentando escolher uma profissão, um curso, tantos caminhos. Isso é uma delícia. Você deve desfrutar sem pressa e escolher sem perder o bom humor. A vida é complicada demais para ser levada muito a sério. É preciso se divertir um pouco com tudo. Como Jesus, comendo e bebendo com os amigos.
Clara, o amor é essa condição surpreendente de viver. Consigo listar sem dificuldades muitos erros cometidos por mim. Exigi mais que devia tantas vezes. Irritei-me outras além da conta. Cobrei o que você ainda não estava pronta para oferecer. Desperdicei momentos singelos e preciosos da vida com a minha ansiedade e expectativas. Coisas de um pai que ainda era um pouco menino quando se viu com uma Clarinha no colo. Mas minha alegria é garantida por uma verdade que nada pode tirar de nossa família: você é muito amada. E sei que o amor ultrapassa e encobre todas as nossas fragilidades. E todos os erros desaparecem entre tanta coisa linda que a gente vem vivendo junto. Que bom que você existe, Cacá.
Gostaria de protegê-la de tudo o que vejo ameaçá-la pela vida a fora, mas faria um mal maior. Roubaria de você o que é mais intenso na vida: a possibilidade vertiginosa de escolher e construir o destino. Foi assim que Deus nos criou. Isso gera algumas dores, mas faz de nós gente de verdade.
Mais solta e distante do que eu gostaria, mas muito mais intensa e mulher que já mais imaginei, sei que carrega na alma a certeza do nosso amor, os valores da nossa família e o Deus de seus pais. Tudo bastante para fazer de você uma mulher de alma doce, grave e sensível para Deus e todos ao seu redor. Aposto que você surpreenderá a todos com suas conquistas. Aposto que ainda experimentaremos alegrias não imaginadas. Aposto que você superará os piores obstáculos. Aposto na linda mulher, minha filha, minha amiga, meu amor. Aposto que você sempre voltará para o colo do papai (pelo menos de vez em quando, vai!).

Retirado de Elienai cabral Junior

2009/04/01

A andarilha das mercês

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 6:14 pm

Uma história real

Não ajuntem tesouros na terra…

Ela ganhava a vida vendendo artesanato na rua. Fazia e vendia o que precisava para comer e dormir, um dia depois do outro. Juntava o pouco que sobrava até conseguir comprar uma passagem para outra cidade. E ia. Todos os seus bens, suas posses, roupas e objetos pessoais cabiam dentro de uma bolsa surrada que ela carregava nas costas.

Vocês não podem servir a Deus e às riquezas…

Foi enquanto ela andava por uma calçada do bairro das Mercês em Curitiba que eles se encontraram. Ele no intervalo do almoço, indo a um restaurante. Ela com seus artesanatos, num intervalo da vida. Ela ofereceu suas peças ao rapaz, que não se interessou.– Moço, você sabe onde eu posso almoçar barato por aqui?– Estou indo no restaurante mais em conta da região. Come-se bem por R$ 7,00.– É muito pra mim moço. Não tem outro?Não tinha. Mas o rapaz se ofereceu para pagar o almoço da andarilha.– Se você quer me ajudar, compre algo de mim, que aí tenho dinheiro pra almoçar.Comprou. E foram juntos ao restaurante. A moça, com um vestido simples e surrado, se sentiu constrangida na porta do estabelecimento, mas acompanhou o rapaz, por insistência dele. Serviram-se no buffet, sentaram-se e começaram a incrível conversa. Entre uma e outra pergunta, a mulher contou a impressionante história da sua vida.

Não andem ansiosos com o que terão para comer, beber ou vestir…

– Vivo assim moço. Não junto pra mim nada além do necessário para hoje. Minhas economias são somente pra me levar a um próximo lugar. Nada mais. Em cada cidade que chego, procuro logo a região mais pobre, mais carente, mais desamparada, e ali eu fico. Conheço as pessoas, converso, ouço, convivo. E logo começo a juntar alguns para ensinar. Ensino artesanato pra que tenham renda. Ensino a ler e escrever, crianças e adultos. Em alguns lugares consigo ajuda para montar oficinas onde ensinamos coisas que possam ser úteis pra quem mora ali. Depois de um tempo, junto novamente algum dinheiro e vou pra outro lugar. Tenho ido bastante pra Maringá, pras aulas de pedagogia na faculdade (!). Mas só assisto o que interessa. Porque não quero diploma não. O que quero é poder ajudar ainda mais quem precisa.

Olhem para as aves do céu… para os lírios do campo…

Confuso e extasiado, o rapaz pensava – quem é essa mulher? De onde vem essa bondade, esse compromisso com o próximo, esse desapego material? – Não resistiu a pergunta mais óbvia:– Você faz isso por quê? Deus tem alguma coisa a ver com sua motivação?– Ih, moço, eu tenho uma fé danada – ela respondeu, enquanto se abaixava buscando alguma coisa dentro de sua bolsa. Quando achou, esboçou um leve sorriso e encheu-se de confiança. Deitou sobre a mesa uma bíblia que parecia ter saído de uma centrífuga de roupas.– Minha motivação vem daqui. Das histórias de Jesus. Do que ele fez e ensinou. Do exemplo que deu. E eu não estou falando de igreja não. Nem de religião. Porque nessas igrejas que têm por aí, o pessoal diz que segue Jesus, mas eles não entenderam nada do que ele ensinou. Jesus andava no meio do povo, ensinando e ajudando as pessoas. Eu faço o que ele disse, sigo seus passos de verdade, porque foi isso que ele pediu, nada mais.

Sempre que o fizeram a um destes pequeninos, fizeram a mim…

O moço, que passou toda sua vida nas referidas igrejas, diligentemente envolvido nos programas, eventos, corais, grupos de crianças, adolescentes e jovens, fazendo cartazes e folhetos, suando e correndo para que tudo corresse perfeitamente, ficou envergonhado.

Sempre que deixaram de fazer a um destes pequeninos, deixaram de o fazer a mim…

Depois do almoço cada um seguiu seu caminho. Ela saiu de Curitiba no dia seguinte do encontro, indo pra outra cidade, seguindo os passos de Jesus. Ele ficou pra trás. Assim como eu.

A andarilha e o rapaz existem e o fato aconteceu em Curitiba, em janeiro de 2007.

Roubado descaradamente de A Trilha – Tuco Egg

2009/03/26

Chamado Radical – Bráulia Ribeiro

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 4:41 pm

SOBRE A VIRTUDE DE SER RADICAL

DIZER QUE É possível ouvir a voz de Deus e obedecer-lhe é
tido como algo esquisito, quase banal, hoje em dia. Quase como
um guru de auto-ajuda num surto psicótico, ou um papai noel
todo-poderoso, Deus manda líderes evangélicos comprar
para si carros BMW e mansões, ajuntar ouro para re-construir
um templo de Salomão em terras tupiniquins, pedir grandes
somas a seus fiéis, fugir com dinheiro em espécie para paraísos
fiscais.
Para os mais sérios, falar com Deus parece presunçoso.
Como ele vai se ocupar comigo sendo que tem tanto em que
pensar? Como eu, um zé-ninguém, vou “servir” em alguma
coisa aos propósitos de Deus? Parece que ele é grande o suficiente
pra fazer o que ele tem de fazer sem precisar de mim.
Para acabar com essas dúvidas, basta ler a Bíblia. Houve
tantos zés-ninguém que “serviram” a Deus em seu propósito!
De fato, Deus só teve de fazer tudo pessoalmente num momento
da história e, mesmo assim, teve um ministério curto,
16 chamado radical
de apenas três anos. Quem completou seu trabalho foram
os zés, como eu e você, que acreditaram radicalmente nele.
A palavra radical assusta um pouco as pessoas hoje em dia.
Todo mundo quer é ser meio zen. Até no meio cristão consideramos
o equilíbrio como uma virtude suprema. Se alguém
está se sacrificando muito na obra, dizemos, com voz solene:
“Cuidado! Temos de ter equilíbrio”. Jogamos água fria na ousadia
e nos sonhos radicais dos jovens, dizendo-lhes que devem
se preparar para uma vida equilibrada, e até mesmo que viver
em extrema dedicação a Deus lhes trará problemas no futuro.
Curiosamente, o conceito de “equilíbrio” não é um conceito
cristão, mas grego. Platão e Aristóteles se referiram ao equilíbrio
como o lugar de felicidade e virtude. É difícil relacionar a pessoa
de Jesus a essa idéia. Jesus não tinha nada de “equilibrado”.
Ele era extremamente radical. Não trilhou o caminho mais fácil.
Foi extremo em sua crítica à religião instituída, adotou um
estilo de vida “anormal”, radicalizou em sua maneira de amar,
não se dobrando aos preconceitos e tabus de sua cultura.
Jesus não tinha como alvo a felicidade ou o bem-estar
pessoal. Seu alvo era obedecer a Deus. Aristóteles estabeleceu
que a virtude está no meio, e o budismo permeou a cultura
pós-moderna com a idéia de que o “caminho do meio” é o
melhor caminho. No entanto, a Bíblia afirma que os mornos
serão vomitados, e narra histórias de heróis da fé que tiveram
uma fé radical, a ponto de terem sido mortos ao fio da
espada, torturados, serrados ao meio. A falta de radicalismo
hoje nos induz a um cristianismo insípido, acomodado ao
formato do mundo.
Para a radicalidade de Jesus não existem padrões de vida
preestabelecidos; existe antes a obediência diária à voz do Pai…”

Trecho do livro da missionária da Jocum Bráulia Ribeiro. Quero ler…

2009/02/25

Sobre perdão…

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 8:09 pm

Uma mensagem fortíssima sobre o perdão. Vale a pena ler!!!

“Certo homem tinha dois filhos.
Um era rico e o outro era pobre.
O filho rico não tinha filhos enquanto que o filho pobre,
fora abençoado com muitos filhos e muitas filhas.

Com o passar do tempo o pai caiu enfermo.
Ele estava certo de que não viveria mais uma semana
e por isto no sábado ele chamou os filhos para o seu lado
e deu a cada um deles metade da terra da sua herança.

E depois morreu.

Antes do pôr do sol os filhos sepultaram o pai
com respeito como o costume requer.

Naquela noite o filho rico não conseguiu dormir.
Ele disse para si mesmo:
“O que o meu pai fez não foi justo.Eu sou rico, e meu irmão é pobre.
Eu tenho pão suficiente e de sobra,
enquanto que os filhos de meu irmão comem um dia
e confiam que Deus os alimentará no seguinte.
Preciso mudar o marco que nosso pai colocou no meio das terras
de forma que o meu irmão tenha um quinhão maior.
Ah – mas ele não pode me ver.
Se ele me ver, ficará envergonhado.
Preciso me levantar de madrugada, antes do sol nascer, e mudar o marco!
“Com isto ele adormeceu e o seu sono foi seguro e pacífico.

Nesse ínterim, o irmão pobre não conseguiu dormir.
Enquanto estava deitado inquieto na sua cama, disse para si próprio:
“O que o meu pai fez não foi justo.
Aqui estou eu rodeado de filhos e muitas filhas,
enquanto que meu irmão diariamente enfrenta a vergonha
de não ter filhos que ostentem o seu nome
nem filhas para consolá-lo na sua velhice.
Ele devia possuir a terra de nossos pais.
Talvez isto em parte lhe compensassepela sua indescritível pobreza.
Ah – mas se eu lhe der ele ficará envergonhado.
Preciso levantar-me de madrugada, antes do sol nascer
e mudar o marco que nosso pai colocou!
“Com isto ele adormeceue o seu sono foi seguro e pacífico.

No primeiro dia da semana –bem de madrugada,muito antes de o dia romper,
os dois irmãos se encontraram no lugar do velho marco.

Caíram em lágrimas nos braços um do outro.

E naquele lugar foi construída a cidade de Jerusalém.

Extraído de Kenneth E. Bailey – do livro “As Parábolas de Lucas”

2009/02/18

Nós e Deus, ou, o "deus" que concebemos…

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 2:56 pm

No conto de Flannery O’Connor, The turkey,1 o anti-herói e protagonista é um garotinho chamado Ruller. Sua auto-imagem é ruim porque nada em que põe a mão parece dar certo.

À noite, em sua cama, ele ouve os pais o analisarem: — O Ruller não é normal — diz seu pai. — Por que ele sempre brinca sozinho? — E sua mãe responde: — Como eu vou saber?

Um dia, Ruller percebe, na mata, um peru selvagem ferido e inicia uma intensa perseguição. “Ah, se eu conseguir pegá-lo!”, ele grita. Vai pegá-lo ainda que tenha de correr até desmaiar. Ele se vê marchando triunfantemente pela porta da frente de sua casa, com o peru pendurado no ombro e toda a família gritando: — Vejam o Ruller com um peru selvagem! Ruller, onde você conseguiu esse peru?
— Ah, eu o capturei na mata. Talvez algum dia vocês possam pegar um desse, como eu.

Mas, então, um pensamento lhe cruza a mente: “provavelmente, Deus vai me fazer perseguir este maldito peru a tarde inteira por nada”. Ele sabe que não deveria pensar assim a respeito de Deus —, mas é assim que se sente. Seria possível evitar esse sentimento? Fica curioso por saber se é anormal.

Finalmente, Ruller captura o peru quando este cai morto por causa da ferida de um tiro que, anteriormente, o havia atingido. Ele o coloca nos ombros e inicia sua marcha messiânica de volta ao centro da cidade. Lembra-se de coisas que pensara antes de conseguir a ave. Eram pensamentos consideravelmente ruins, ele supõe. Imagina que Deus o tinha interrompido antes que fosse tarde demais. Deveria estar muito agradecido. — Obrigado, Deus! — ele diz. — Sou muito grato a ti. Este peru deve pesar uns quatro quilos. Foste tremendamente generoso.
Talvez, conseguir o peru seja um sinal, ele pensa. Talvez, Deus queira que seja um pregador.

Pensa em Bing Crosby e Spencer Tracy enquanto adentra a cidade com o peru dependurado no ombro. Quer fazer algo para Deus, mas não sabe o quê. Se tivesse alguém tocando acordeão, na rua, hoje, ele daria seus dez centavos. São os únicos centavos que possui, mas ele os daria.
Dois homens se aproximam e assobiam. Chamam os outros homens que estavam na esquina para ver o peru.
— Quanto você acha que ele pesa? — perguntaram eles.
— Pelo menos uns quatro quilos — Ruller respondeu.
— Por quanto tempo você o perseguiu?
— Por quase uma hora — disse Ruller.
— Isso é mesmo impressionante. Você deve estar bem cansado.
— Não, mas tenho de ir — Ruller replica. — Estou com pressa.

Ruller não via a hora de chegar em casa.
Ele deseja encontrar alguém mendigando. De repente, ele ora: “Senhor, mande um mendigo. Mande-o antes de eu chegar em casa”. Deus pôs o peru naquele momento. Certamente, enviará um mendigo. Ele tem certeza de que Deus enviará alguém. Por ser uma criança singular, ela interessa a Deus. “Por favor, um mendigo agora mesmo!” — e nesse instante uma velha mendiga surge bem a sua frente. Seu coração bate com força. Ele dispara em direção à mulher, gritando: — Aqui, aqui —, aperta os dez centavos na mão e sai correndo sem olhar para trás.

Lentamente seu coração se acalma, e ele começa a ter um novo sentimento — algo como estar alegre e confuso ao mesmo tempo. Possivelmente, ele pensa, dará todo seu dinheiro a ela. Sente como se o chão não precisasse mais estar debaixo dele.
Ruller percebe um grupo de garotos da roça arrastando-se atrás dele. Ele se volta e pergunta, generosamente:
— Querem ver o peru?
Os garotos o olham fixamente:
— Onde você conseguiu esse peru?
— Eu o achei na mata. Eu o cacei até a morte. Vejam, tomou um tiro na asa.
— Deix’eu ver — diz um garoto.
Ruller lhe dá o peru. A cabeça do animal voa na direção de seu rosto enquanto o garoto o gira no ar sobre o próprio ombro, e dá meia volta. Os outros garotos também se viram e vão embora, andando despreocupadamente.

Eles estão a quatrocentos metros de distância quando Ruller se mexe. Finalmente, estão tão longe que nem consegue enxergá-los. Em seguida, ele se arrasta para casa. Anda um pouco e então, ao perceber que está escuro, subitamente começa a correr.

A requintada fábula de Flannery O’Connor termina com as palavras: “Ele correu cada vez mais rápido, e à medida que subia pela estrada de sua casa, sentia o coração tão acelerado quanto as pernas. Estava certo de que Algo apavorante rasgava atrás dele, com os braços rijos e os dedos prontos para agarrar”.

Diante de Ruller, muitos de nós, cristãos, encontramo-nos revelados, despidos, expostos. Nosso Deus aparentemente é o Único que dá perus com benevolência e caprichosamente os tira. Quando os dá, sinaliza o interesse e o prazer que tem em nós. Sentimo-nos próximos de Deus e somos incitados à generosidade. Quando os tira, sinaliza o desprazer e a rejeição. Sentimo-nos repudiados por Deus. Ele é volúvel, imprevisível, excêntrico. Firma-nos apenas para nos decepcionar. Lembra-se de nossos pecados do passado e retalia arrancando os perus de saúde, riqueza, paz interior, progenitura, império, sucesso e alegria.
Assim, inadvertidamente, projetamos em Deus as atitudes e os sentimentos que nutrimos por nós mesmos.

Trecho retirado do livro “O impostor que vive em mim – Brenan Manninng”

Alguma similaridade com a maneira que nos relacionamos com Deus é mera coincidência…

2009/02/16

Para os meus amigos…

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 8:30 pm

Comam brócolis.
Não fujam do exame de próstata.
Leiam bons romances.
Façam exercício.
Sacramentem amizades com um Cabernet.
Evitem o Diogo Mainardi.
Não tomem café depois das dez.
Andem descalços em casa.
Visitem um hospital para crianças com câncer uma vez por ano.
Não esqueçam do aniversário de quem vocês amam.
Comprem um dicionário – e consultem.
Desliguem a televisão.
Não discutam com quem “se acha”.
Recitem um poema em voz alta toda semana.
Não falem em corda em casa de enforcado.
Leiam a Bíblia para um enfermo.
Meditem com a porta do quarto trancada.
Anotem endereços de blogs alternativos.
Sejam moderados no açúcar e na gordura saturada – torresmo, nem pensar.
Leiam o Alysson Amorim, o Elienai, a Geruza e o Paulo Brabo.
Não percam as edições diárias do Pavablog nem quando estiverem na Manchúria.
Nunca pilotem motocicleta, nem aceitem carona na garupa.
Aprendam a gostar de música clássica – Johan Sebastian Bach é um bom começo.
Reciclem o lixo de casa, do escritório, da igreja – e do coração.
Não morram logo, por favor; preciso de vocês por perto.

Soli Deo Gloria.

Retirado de Ricardo Gondim

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