Blog do Mario

2009/09/23

Como terminar o namoro de forma "gospel"

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 7:47 pm

Foras-chavão no namoro cristão:
1. Presbiteriana: “Vamos continuar orando, se Deus quiser mesmo, acabaremos juntos”.
2. Metodista: “Não sei é a vontade de Deus, mas não é a minha”.
3. Assembleiana: “O Senhor me revelou que você não é meu escolhido”.
4. Católica: “Vou me casar com Jesus!”
5. Universal: “Ore a respeito, e se não ficarmos juntos, é porque você não teve fé o suficiente”.

Reserva:
I. Batista: “Precisei tomar uma decisão a respeito”.
II. Adventista: “Você vai ficar bem, Jesus já está voltando”.
III. Internacional da Graça: “Nâo posso mais dedicar tempo pra você, porque es-tou se-guiiiin-doo / a Je-sus Criiiis-tooo…”

Bacia das Almas

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2009/09/16

Revelação por pobres palavras

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 3:51 pm

(…) Quanto à idéia de inerrância e infalibilidade, sei que mexo em um vespeiro fundamentalista. Mas é uma ingenuidade tratar qualquer que seja a expressão linguística como infalível. Deus é infalível. Mas o que Deus nos fala vem através de palavras, e as palavras são sempre precárias. Mudam de sentido com o passar do tempo, da cultura, do contexto, das línguas e das individualidades. Além disso, falando da Bíblia, temos os processos de transmissão dos textos, as traduções, as versõeSALVOS_DA_PERFEICAOs, que por mais rigorosos que possam ser, são tão precários quanto à capacidade humana de se comunicar. Na minha opinião, essa é a grandeza da Bíblia, sermos revelados de Deus apesar da precariedade de nossa linguagem. Coisa de gente que ama o suficiente para ter fé.

Extraído: Fórum Elienai Jr. (Blog lançamento livro Salvos da Perfeição)

2009/09/15

Homens de valor – Adultério

Filed under: homens em evidência — mariogoncalves @ 12:12 pm

O adultério tem invadido a nossa sociedade com uma força jamais anteriormente conhecida. O assunto é inevitável. Televisão, cinema e canções têm explorado com maestria as tramas desenvoltas num relacionamento triangular. Há não muito tempo atrás, Calvin Klein lançou a sua famosa fragrância “Eternity” (eternidade), apostando com este nome na duração do seu produto. Atualmente, ele também está vendendo como nunca a sua nova fragrância “Escape” (fuga), insinuando com este nome a fragilidade das relações traduzidas nas famosas escapadas fora do casamento.

Uma recente pesquisa sobre adultério publicada em uma revista americana de psicologia, demonstrou que 92% dos entrevistados acreditavam que a monogamia é algo de “grande importância”. Porém, 45% dessas mesmas pessoas admitiram o seu envolvimento em uma relação ilícita, com a quebra dos seus próprios votos matrimoniais.
Ao escrever esse artigo tenho que lhe confessar um incômodo dentro de mim. Certamente, existem várias razões para isso, e, talvez, uma das mais fortes é o fato de estar com 46 anos de idade e acabar de ler um livro que muito impactou a minha vida. Meia Idade é um livro no qual o autor descreve que existe um tempo em nossas vidas onde necessariamente, o que temos que fazer é refletir sobre a nossa caminhada nessa existência. Temos de examinar por onde vimos andando, onde estamos hoje e para onde estamos indo. Um tempo de avaliação e retomada de direção. A leitura deste livro fez com que reacendesse em mim um desejo mais intenso de terminar bem a minha carreira.
Não faz muito tempo, recebi a noticia de que um pastor amigo, um homem de notáveis talentos, teve subitamente o seu ministério e a sua vida arrasada por um envolvimento em adultério. Seu ministério está literalmente destruído, seu nome enlameado, sua própria saúde abalada e a família em frangalhos. Histórias como essa tem se repetido centenas de vezes dentro da comunidade cristã e, confesso, o meu coração se quebra todas as vezes em que ouço algo assim.
Estou absolutamente convencido de que, se por um lado essas noticias nos apanham de surpresa, por outro, sei que houve todo um processo sendo desenvolvido, possivelmente ao longo de muitos anos. Também estou convencido de que, para cada líder cristão famoso que cai ao longo do caminho sob o escrutínio da mídia, existe uma quantidade enorme de outros totalmente desconhecidos que estão se afastando voluntariamente, ou estão sendo banidos dos ministérios em função da impropriedade na área sexual.


Meus anos de ginásio me ensinaram alguma coisa sobre reação química. Aprendi: quando certas substâncias entram em contato com outras, fatalmente haverá uma reação. Num pequeno laboratório da minha escola em Lins, estado de São Paulo, quase provoquei um acidente de proporção considerável, ao misturar dois ingredientes que não poderiam jamais se tocar. Tenho aprendido desde então, que, de um modo geral, as pessoas não respeitam as leis químicas mais do que eu, nos meus dias como estudante ginasial. Elas misturam voláteis ingredientes sem dar o devido tempo para avaliar as conseqüências. Muitos casais não compreendem que uma reação química pode ocorrer quando um dos cônjuges se relaciona com alguém que não seja o seu próprio. Por favor, não me interprete mal. Não estou me referindo necessariamente a uma atração sexual. Estou me referindo a uma reação de dois corações, uma química que envolve duas almas. É o que chamo de adultério emocional. Uma intimidade com o sexo oposto além da fronteira do casamento. Adultério emocional é uma infidelidade do coração. Quando duas pessoas começam a falar das suas lutas íntimas, das inquietações dos seus corações, suas dúvidas e incertezas, é bem possível que elas estejam compartilhando as suas próprias. Sabemos, Deus estabeleceu que tal relação fosse somente compartilhada dentro do relacionamento conjugal.
Há algum tempo atrás, um pastor me confessou: – “Já não amo minha esposa, estou apaixonado por uma moça da minha igreja.” Olhei nos olhos daquele companheiro da mesma maneira como tenho olhado detidamente nos olhos de muitos outros com quem tenho conversado abertamente sobre essa matéria. Eu tenho descoberto que, na maioria dos casos, um relacionamento adúltero teve início em um encontro casual dentro da própria igreja. Uma reação química toma lugar. Ele fala da sua frustração em casa, ela compartilha uma reação similar e em pouco tempo as emoções passam a ricochetear com uma rapidez intensa, e corações passam a experimentar uma ligação emocional irresistível.

Via de regra, o adultério não se dá por acaso.

Para ler na íntegra site: Homens de Valor

2009/09/09

Chamado pra sumir…

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 8:51 pm

O chamado que um dia aceitei seguir porque me atingiu em cheio o coração e encheu-me de alumbramento, é o chamado para sumir. O que ecoa no meu peito são as palavras de dispersão. Vão – disse o mestre – sejam sal, sejam luz, sempre indo, caminhando, espalhando, dispersando, sumindo na multidão. Sal se dissolve e some. Dá gosto mas, depois que é espalhado, ninguém mais sabe onde está. Sumiu, mas salgou. Luz não se pega, não se toca, ninguém sabe descrever sua aparência. Sabemos que há luz porque tudo se torna visível – mas não sabemos onde ela está, não podemos tocá-la, descrevê-la.

Leia todo o texto aqui.

Clube irrelevante

Filed under: pensando — mariogoncalves @ 8:15 pm

“Quando os primeiros cristãos entravam em uma cidade, as pessoas no poder ficavam transtornadas e imediatamente buscavam condenar os cristãos por serem “perturbadores da paz” e “forasteiros agitadores”. […] As coisas são diferentes agora. Com tanta frequência a igreja contemporânea é uma voz fraca, ineficaz com um som incerto. Com tanta frequência é uma arquidefensora do status quo. Longe de se sentir transtornada pela presença da igreja, a estrutura do poder da comunidade normal é confortada pela sanção silenciosa – e com frequência sonora – da igreja das coisas tais como são.

Mas o julgamento de Deus pesa sobre a igreja como nunca pesou. Se a igreja atual não recuperar o espírito de sacrifício da igreja primitiva, perderá sua autenticidade, será privada da lealdade de milhões e será descartada como um clube social irrelevante com nenhum significado para o século XX. Todos os dias, encontro pessoas jovens cuja decepção com a igreja tornou-se uma repugnância absoluta.”


Continue lendo aqui e perca-se na Trilha do Tuco, ou ache-se…

2009/09/02

Acabei de morrer, agora é a vez de vocês

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 4:08 pm

Rascunho sobre Atos 1.8

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”.

Quando recitamos ou lemos esse verso do primeiro capítulo do livro de Atos, enfatizamos o vocábulo grego dynamis de tal forma que perdemos de vista outra palavra imprescindível para a correta compreensão dessa famosa passagem: testemunha.

Dynamis pode ser traduzido por poder, virtude, dinamismo e lançando nesse texto bíblico um olhar neopentecostal, empresarial, capitalista (…), acabamos alimentando o deus deste século e todas as suas formas de desejos já apontados quase dois mil anos atrás pelo Apóstolo João, em sua primeira carta. Concupiscências.

Testemunha é martyrios no texto grego original, é aquele que, se for preciso, morre pela causa, dá literalmente a sua vida por aquilo que acredita. Encontrei essa excelente definição no Blog Assim Mesmo: “O mártir é aquele que, podendo escapar, não o faz. É testemunha da sua própria entrega.”

Vivendo no natural (na carne como dizemos), não teríamos condições de enfrentar a morte defendendo Jesus e seu Evangelho. Então Ele diz “fiquem cruzem Jerusalém, para receberem poder pra morrer”. Ou então “acabei de morrer… agora é a vez de vocês… porém esperem o revestimento do alto pra que vocês não tenham os valores e bens deste mundo como mais preciosos que Eu e então, dessa forma, não queiram mais morrer”.

Acabei de morrer, agora é a vez de vocês

Filed under: cristianismo puro — mariogoncalves @ 4:03 pm


Rascunho sobre Atos 1.8

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”.

Quando recitamos ou lemos esse verso do primeiro capítulo do livro de Atos, enfatizamos o vocábulo grego dynamis de tal forma que perdemos de vista outra palavra imprescindível para a correta compreensão dessa famosa passagem: testemunha.

Dynamis pode ser traduzido por poder, virtude, dinamismo e lançando nesse texto bíblico um olhar neopentecostal, empresarial, capitalista (…), acabamos alimentando o deus deste século e todas as suas formas de desejos já apontados quase dois mil anos atrás pelo Apóstolo João, em sua primeira carta. Concupiscências.

Testemunha é martyrios no texto grego original, é aquele que, se for preciso, morre pela causa, dá literalmente a sua vida por aquilo que acredita. Encontrei essa excelente definição no Blog Assim Mesmo: “O mártir é aquele que, podendo escapar, não o faz. É testemunha da sua própria entrega.”

Vivendo no natural (na carne como dizemos), não teríamos condições de enfrentar a morte defendendo Jesus e seu Evangelho. Então Ele diz “fiquem em Jerusalém, para receberem poder pra morrer”. Ou então “acabei de morrer… agora é a vez de vocês… porém esperem o revestimento do alto pra que vocês não tenham os valores e bens deste mundo como mais preciosos que Eu e então, dessa forma, não queiram mais morrer”.

Passado irredutível – Ricardo Gondim

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 2:35 pm

Não transfiro, nem projeto em ninguém e em nada os meus movimentos passados. Arco com as consequências de minha ingenuidade, de minha imaturidade, de minha simplicidade juvenil. Assumo: confundi fé com credulidade. Dediquei-me cegamente a processos de manipulação. Repeti frases de efeito sem a devida crítica. Embarquei em empreendedorismos ideologicamente contaminados. Não culpo ninguém e não cobro. Não guardo ressentimentos. Eu vivi intensamente cada momento e, repito, assumo a minha história.

Eu acreditei nos projetos missionários, que hoje vejo como meras panacéias para levantar dinheiro nos Estados Unidos. Vários esforços de ganhar almas visavam tão somente fortalecer com testemunhos e fotografias, estrategicamente bem batidas, a sede expansionista das denominações.

Eu acreditei que os enclaves missionários eram necessários. Não percebia o enorme preconceito que eles tinham conosco, com a nossa cultura, com a nossa espiritualidade. Enfronhei-me em “cruzadas” evangelísticas e nunca critiquei a instrumentalização dos pobres para que riquíssimas instituições se tornassem ainda mais poderosas. Participei de reuniões com Morris Cerullo, Jimmy Swaggart achando realmente que eram homens de Deus sem ver que eram soberbos e vaidosos.

Ceguei os meus olhos para a politicagem mais infame que percebia na denominação que nossa igreja fez parte. Nunca distingui o Movimento Evangélico do compromisso evangélico com a mensagem de Jesus. Trabalhei à exaustão para que a doutrina do Movimento fosse compreendida pelo maior número de pessoas, acreditando que assim povoaria o céu e saquearia o inferno.

Meus amigos se reduziram aos que comungavam com os meus conceitos. Em nome dessas amizades relevei escândalos éticos. Engoli seco conversas cretinas e conspirações para conquistar mais poder – hoje vejo que fui mais cretino que muitos.

De repente muitas coisas foram pesando em minha alma. Alquebrado e triste com o meu passado, procuro mudar de pele. Preciso da misericórdia divina para lavar as nódoas que mancham o meu caráter. Luto para ser irmão de homens e mulheres de boa-vontade. Tenho que me despedir de mim mesmo, dos ambientes que ajudei a criar e de ex-amigos, que só agora reconheço como meros aliados.

O passado irredutível pode ser reconstruído com decisões que eu tomar no presente. Meu presente não precisa ser mera consequência do que vivi; sequer o futuro, um desdobramento inexorável do presente.

Soli Deo Gloria

Extraído: http://www.ricardogondim.com.br

Vem aí A bacia das almas, de Paulo Brabo

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 12:15 pm

Livro é uma coletânea de mensagens do autor a respeito da vida e suas diferentes facetas

Em novembro, a Mundo Cristão lança A bacia das almas – Confissões de um ex-dependente de igreja, primeira obra de Paulo Brabo pela editora. O livro é uma seleção de mensagens escritas pelo autor em seu blog por um período de cinco anos.

Os textos refletem as angústias e as reflexões do próprio autor sobre diversos temas: igreja, espiritualidade, cultura, literatura, sociedade, cinema, entre outros aspectos que formam o ser humano.

Batizado Paulo Roberto Purim, Paulo Brabo afirma que suas idéias estão condenadas à reformulação eterna, são pensamentos inacabados em constante mutação e evolução.

A expressão que deu título ao blog e também ao livro, “bacia das almas”, refere-se ao recipiente em que são depositadas as esmolas nas igrejas, e que acabou gerando a expressão popular “na bacia das almas”, isto é, vender ou ganhar “no último instante, no calor do momento, sem negociação ou ponderação”.

A bacia das almas não é um tratado anti-igreja, como podem pensar alguns ao notar seu subtítulo. O ex-dependente de igreja Paulo Brabo refere-se ao ativismo exacerbado com o qual esteve envolvido por muitos anos, sob o equívoco de que este envolvimento refletia a profundidade de sua fé e espiritualidade. No livro, há um capítulo destinado a essa justificativa. Nele o autor escreve:

“Preciso confessar que durante trinta anos fui consumidor de igreja.
Durante trinta anos fui dependente de igreja e trafiquei na sua produção.

Devo confessar o mais grave, que, durante esses anos, abracei a crença (em nenhum momento abalizada pela Escritura ou pelo bom senso) que identificava a qualidade da minha fé com minha participação nas atividades – ao mesmo tempo inofensivas, bem-intencionadas e autocentradas – de determinada agremiação. Em retrospecto, continuo crendo em mais ou menos tudo que cria naquela época, porém, contra minha vontade, contra minha inclinação e contra a força do hábito, fui obrigado a abandonar essa crença confortante e peculiar (espiritualidade = participação na igreja institucional).

[…] Ao contrário de alguns, não sinto de forma alguma ter sido abusado pela igreja institucional; sinto, em vez disso, como se tivesse sido eu a abusar dela. Minha impressão clara não é ter sido prejudicado pela igreja, mas de tê-la usado de forma contínua e consistente para satisfazer meus próprios apetites – apetites por segurança, atenção, glória, entretenimento, aceitação.”

As reflexões de Paulo Brabo levarão você a também repensar o seu papel dentro da igreja e na sociedade, a enxergar com outros olhos o mundo em que está inserido.

Fonte: Mundo Cristão

2009/09/01

Oficialmente velho – Leonardo Boff

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 7:27 pm

Neste mês de dezembro completo 70 anos: diz Leonardo Boff.

Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida. Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira.

Esta possui uma dimensão biológica, pois irrefreavelmente o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas.
De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas.

Mas há um outro lado, mais instigante.
A velhice é a última etapa do crescimento humano.
Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino.

Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer e, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer; quando então entramos no silêncio e morremos.

A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer.
Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: “NA MEDIDA QUE DEFINHA O HOMEM EXTERIOR, NESTA MESMA MEDIDA REJUVENESCE O HOMEM INTERIOR”(2Cor 4,16).

A velhice é uma exigência do homem interior.
Muitas vezes perguntamos: Que é o homem interior?
O homem interior é o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical.  Identidade esta que devemos encará-la face a face.
Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe.
Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis:
Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, (inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano), submetido ao “silêncio obsequioso” e outros papéis mais. Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Quando então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos:
Afinal, quem sou eu?
Que sonhos me movem?
Que anjos que habitam?
Que demônios me atormentam?
Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério?
Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior e a resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável.
Este é o verdadeiro desafio para a etapa da velhice.
Então nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina.

Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida.
Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria.
É ilusão pensar que esta sabedoria vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.

Por fim, o que importa preparar o grande Encontro.
A vida não é estruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através da morte.
Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia.
Aí saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.
Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: “contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade”.

Por fim, este jovem ancião alimenta dois sonhos: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa:
“eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver”. Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus.
Parafraseando Camões, completo: Mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.

Leonardo Boff é teólogo

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