Blog do Mario

2009/07/30

Não verás nenhum país como este: texto do Sérgio Pavarini

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 1:17 pm
“Por que fizeram isso comigo?”, perguntou Galdino Jesus dos Santos aos médicos que o atendiam antes de ficar inconsciente. O índio pataxó dormia num ponto de ônibus em Brasília na madrugada do dia 20 de abril de 1997, quando 5 jovens de classe média resolveram atear fogo nele. “Não sabíamos que era um índio, pensávamos que era só um mendigo”, disseram. Presos e condenados, trabalharam e estudaram fora do presídio. Nesse período, foram vistos várias vezes em bares tomando umas com amigos.

***


Entrar na USP é motivo de puta alegria. No meio do zoeira do trote que aconteceu na noite de 22 de fevereiro de 1999, o calouro
Edison Tsung-Chi Hsueh teve de mergulhar numa piscina. Sem saber nadar, morreu afogado. O Ministério Público denunciou 4 estudantes de Medicina por homicídio qualificado. Advogado de defesa de um dos réus, Márcio Thomaz Bastos teve de abandonar o caso para tornar-se Ministro da Justiça. Começou bem o exercício, mandando sustar o processo. Frederico Carlos Jana Neto, conhecido na época como “Ceará”, hoje é médico especializado em ortopedia/traumatologia e atende na Zona Lost paulistana. De traumas ele entende bem.

***


Passou o inverno sem companhia, garotão? Seus problemas estão para acabar. Falta pouco para você cruzar com
Suzane Von Richthofen por aí nas quebradas. Parecer da penitenciária considerou-a “presa exemplar” e ela pretende em pouco exibir seu bom comportamento fora do xilindró. A loira já cumpriu um sexto da pena por conta de uma bobagenzinha que aprontou acompanhada do namorado, o que lhe dá direito a pleitear o regime semiaberto. Dura lex só aqueles indefectíveis pratos âmbar,baby.

***


Os caminhos divinos são insondáveis. Depois que a bispa Cleycianne disse que ela e o Estevam foram presos para
evangelizar o terceiro cabra mais procurado pelo FBI, minha fé deu (com cacófato) uma guinada. Que felicidade ver o agir sobrenatural também na vidinha do ex-deputado Fernando Ribas Carli Filho. Acho até que ele queria voar como anjos quando estava dirigindo alcoolizado a 190 km por hora. Nem dá pra evocar Drummond e dizer que havia duas vidas no meio do caminho. “Agradeço a Deus pela vida e a todos que estão orando por mim”, diz o outdoor que decorou as ruas de Guarapuava (PR) por duas semanas. O papai de Fernandinho disse que ele deve voltar à política. Ambiente perfeito para gente dessa laia.

***


Maluf, Elias Maluco, Casal Nardoni, os 5 playboyzinhos que agrediram a doméstica carioca “porque parecia prostituta”… A lista de exemplos é sobremaneira extensa e provocaria inevitável laceamento escrotal. O fato é que de tempos em tempos aparece “uma vítima ocasional, que se converte no objeto do ódio de todos e passa a ser por reconhecimento unânime o bode expiatório”, na explicação do filósofo francês René Girard. Alguém pensou no José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, atual alvo do emputecimento verde-amarelo?
Yes, esse é o nome de batismo do presidente do Senado, hoje mais evocado por menções nada honrosas à sua progenitora.

***


Prezaria saber o que se passou na mente de um cara-pintada após ver a foto recente do Lula e o Collor se abraçando. Hoje me penitencio pelos adjetivos que dirigi na época àquela molecada. Afinal, hoje os nossos protestos usam técnicas de viral e nem precisamos tirar a bunda mole da cadeira para qualquer ação. Os coquetéis molotov dos protestos na década de 60 evoluíram para modernas
hashtags. Basta um #forasarney para sermos invadidos por aquele sentimento de dever cumprido. Após a catarse via twitter, podemos voltar ao nosso liliputiano mundo pequeno-burguês e distrair as pessoas com textos tão genuinamente rebeldes quanto o Supla.

***


Rememorar esses casos me deixou com o sangue em ebulição, agravada pela certeza de que o sentimento se extinguiria em alguns minutos. Ao comentar a morte de judeus no holocausto, o escritor Avishai Margalit ajuda a compreender esse tipo de desconforto: “Esquecer a morte deles seria o mesmo que tirar-lhes a vida pela segunda vez”. Bingo. Daqui a pouco estaremos ocupados com a estreia do Gugu na TV Record, celebraremos mais um título do Verdão e creditaremos os males do mundo à Dilma. Enquanto isso, Sarney estará na Ilha de Curupu curtindo tudo o que este país abençoado por Deus proporcionou ao seu clã nesta e nas gerações vindouras.

Imortal da Academia de Letras, quem sabe o maranhense se aventure a ler um pouco de Olavo Bilac para os petizes da família, terminando o momento literário com a frase quase épica de João Ubaldo Ribeiro: Viva o povo brasileiro!

Sérgio Pavarini de M#®d@


Ctrl-C + Ctrl-V do Blog dos 30

2009/07/22

Pássaros

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 10:48 am

MENINAS e meninos, a briga entre os bichos da floresta era sobre “dieta”: quem come o que, quem come quem…Os vegetarianos formaram o Partido das Bananas. Os carnívoros pensaram em formar o Partido da Linguiça, mas logo, aconselhados pelo Camaleão, adotaram a tática da dissimulação e deram ao seu partido o nome de Partido dos Abacaxis, que, graças à ingenuidade dos membros do Partido das Bananas, que acreditaram que, entre banana e abacaxi, não havia diferença, ganhou as eleições.

Empossado o Congresso, os representantes elegeram o seu presidente, a Hiena, sempre com um sorrisinho de Monalisa no focinho.Na sua posse, ela fez um discurso sobre as excelências da dieta vegetariana. Citando o filósofo alemão Ludwig Feuerbach, que disse que somos o que comemos, ela declarou: “Vacas comem capim, portanto são capim. Macacos comem banana, portanto são bananas. Galinhas e patos comem milho, portanto são milho. Assim, onças que comem vacas estão, na verdade, comendo capim. Uma cobra que come um macaco está, na realidade, comendo bananas. Um gambá que come galinhas está, na realidade, comendo milho. São todos, portanto, vegetarianos. Assim sendo e em cumprimento às promessas que fizemos no período eleitoral, proclamo a lei de que todos os animais terão de ser vegetarianos. Viva a República Vegetariana!”.

O discurso da Hiena foi seguido por um festival gastronômico em que hienas, onças, lobos, cães vadios, cobras, gambás e gatos vegetarianamente churrasqueavam vacas, veados, macacos, galinhas e passarinhos.

A lei é clara: todos os animais são vegetais transformados…Aí os membros do Partido das Bananas perceberam que haviam caído numa armadilha. Leis são armadilhas. Uma vez feitas, não podem ser abolidas, a menos que sejam revogadas por aqueles que as fizeram.E, olhando para seus gordos representantes no Congresso, perceberam que nenhum deles estava disposto a trocar costeletas, lombos e linguiças por alface, couve e cenoura… Concluíram, então, que, com aquele Congresso de carnívoros, a reforma política jamais seria realizada.

Foi então que um leitão rechonchudo chamado Alfred Hitchcock pediu a palavra. O dito leitão ponderou: “Eu não posso enfrentar a onça. As galinhas não podem enfrentar os gambás. Os cordeiros não podem enfrentar os lobos! Mas os pássaros! Milhares de pássaros em seus voos rasantes e bicos pontudos! Que poderão fazer as onças, os gambás e os lobos contra o ataque de milhares de pássaros? Vamos chamar os pássaros! Eles são vegetarianos! São nossos aliados!”.E assim aconteceu. Vieram então, em bandos que tapavam o sol, milhares de andorinhas, sabiás, pardais, tico-ticos, periquitos… Invadiram o edifício do Congresso. Foi um pandemônio. O espaço escureceu. O barulho dos pios e dos gritos dos pássaros era ensurdecedor. Milhares de bicos bicando sem parar em mergulhos certeiros.Além disso, por onde iam, soltavam seus excrementos moles e fedidos que escorriam pelos sorrisos de Monalisa dos excelentíssimos.Os representantes gritavam histéricos: “Isso é conspiração dos meios de comunicação”. Os gambás, as onças, os lobos, os cães vadios e as hienas fugiram e nunca mais voltaram, com medo de que os pássaros lhes furassem os olhos…

Isso, meninos e meninas, tem o nome de revolução. Revolução é quando os eleitores resolvem, eles mesmos, demitir os seus representantes que os traíram e fazer, eles mesmos, as leis. Portanto vamos chamar os pássaros…

Rubem Alves, na Folha de S.Paulo.

Retirado de PavaBlog

2009/07/17

Efeitos nocivos na lavoura de Cristo

Filed under: igreja — mariogoncalves @ 4:31 pm

Erwin Lutzer, em um de seus livros, usou uma ilustração bem apropriada para exemplificar os desdobramentos de certas técnicas usadas em diversas igrejas. Grande parte desses métodos são oriundos do pragmatismo americano.

Parafraseando é mais ou menos o seguinte:

“Quando trabalhamos de forma apropriada na terra, utilizando adubos naturais, água e iluminação adequados, limpeza e poda no tempo correto, o crescimento da plantação nem sempre é rápido, porém é firme e constante. Por suas vez ,os frutos também são naturalmente saudáveis. No afã de aumentar a produtividade e eliminar possíveis pragas, o agricultor utiliza agrotóxicos que aceleram o crescimento e deixam a plantação viçosa e exuberante. Mas o veneno usado não mata somente as pragas, ele compromete para sempre a fertilidade do solo. Produz frutos aparentemente belos e desejáveis mas deixe o solo estéril, sem condições de produzir mais nada.

O que temos semeado nos nossos cultos de uma forma geral? Soluções imediatistas e funcionais? Promessas que não encontram base sólida nas Escrituras?

Percebemos nas Igrejas pessoas cansadas, entendiadas, querendo algo mas nem sabem o quê! Sedentas de ouvir a Palavra de Deus. A longo prazo, o resultado é frustração COM DEUS, por causa de pseudoprofetas e pregadores que utilizam mais a psicologia e filosofia do que a própria Palavra ou mensagens de vitória e prosperidade. Concebemos uma geração de cristãos egoístas, ganaciosos e interesseiros que pensam só nas bênçãos de Deus e não NELE. Nosso “amor” por Deus é facilmente desconstruído a medida que os revezes e as adversidades nos assolam.

Em contrapartida, nos cultos de Edificação Cristã, onde o foco deveria ser o ensino bíblico, exaltam-se os tempos antigos confundindo doutrinas com usos e costumes e vice-versa, tratando dos nossos problemas (principalmente o pecado) somente de forma externa e superficial, ficando a sujeira dos nossos corações disfarçada pelo estereótipo denominacional.

Merecemos algo de Deus? Nunca, é só pela Graça que somos salvos. Mas as técnicas de pregação, louvor, performances e etc, uma vez usadas, nos tornam dependentes. Estamos viciados em mensagens de ânimo e conforto, porém não é disso que precisamos.

Precisamos de um avivamento! Através de pregações bíblicas, apaixonadas e fervorosas e atitudes contrárias a tudo o que venha a denegrir o Evangelho. “A Bíblia nos traz conforto e confronto, mas somente o confronto nos transforma!”

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.