Blog do Mario

2009/04/28

Mãe – privilégio dado por Deus

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 2:56 pm

Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em começar uma família. Nós estamos fazendo uma pesquisa, ela diz, meio de brincadeira. Você acha que deveria ter um bebê?
Vai mudar a sua vida, eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.

Eu sei, ela diz, nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas…
Mas não foi nada disso o que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela.
Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais de grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.
Eu penso em alertá-la que ela nunca mais irá ler um jornal sem se perguntar E se tivesse sido o MEU filho? Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para as suas unhas com a manucuri impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzi-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote.
Que um grito urgente de Mãe! fará com que ela derrube seu suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro de seu bebê.
Ela vai ter que usar cada milímetro de seu disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que seu bebê está bem. Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina.

Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonalds se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.
Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe. Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho.
Que ela a daria num segundo para salvar a sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida – não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles. Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra. O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa.
Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar talco num bebê ou que nunca hesita em brincar com o seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.
Eu gostaria que a minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e os motoristas bêbados. Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente na maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.

Eu quero descrever para a minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza de minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

“Você jamais de arrependerá”, digo finalmente,. Então estico a minha mão sobre a mesa, aperto a mão de minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus… que é ser Mãe.
Autor Desconhecido
Minha homenagem à todas as mulheres, especialmente a minha amiga e esposa Sueli, mãe da doce Maria Heloísa…
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2009/04/23

Museu da corrupção

Filed under: política — mariogoncalves @ 7:00 pm

Clique no link abaixo do arquiteto mineiro Rodrigo de Araújo Moreira:

Museu da corrupção

Show de relevância…

2009/04/20

Monitor dos escandalos

Filed under: Uncategorized — mariogoncalves @ 12:37 pm

Deem uma olhada no link abaixo,

Monitor de escândalos

Pricipalmente antes das eleições…

2009/04/13

Elienai Cabral Junior

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 8:25 pm

Texto do Elienai Cabral Junior, pastor da AD Betesda Fortaleza, no aniversário de 15 anos da sua filha…sem comentários…

As melhores memórias são sempre afetivas. Têm cor. Tem cheiro. Tem sentimento.
Quinze anos de Ana Clara é uma experiência sagrada. Sinto o cheiro doce do corpinho ainda lambuzado do útero. Depois de (des)esperar no corredor pelo nascimento e primeiro encontro com a minha Clarinha, ainda vejo o seu rostinho vermelhíssimo de vida e de choro. Trazido pela enfermeira, uma desproporção. O enorme colo da “Frida” e o corpinho tão frágil da Clarinha. Seu choro cessou tão logo me ouviu dizer: Oi, filhinha, é o papai! Já quieta, nos meus braços, abriu os olhos. Sei que só via vultos. Mas seu coração, tenho certeza, enxergava o papai com quem conversou durante toda a gravidez. Sua serenidade e delicadeza não foram suficientes para acalmar meu coração em taquicardia. Tive que devolvê-la para a enorme “Frida” para tê-la comigo depois e quase pra sempre.
Enquanto escrevo deve ter um cisco no meu olho. Ele insiste em lacrimejar! As cenas passam rápido na minha lembrança. Mas quero parar bem aqui. Nas tardes frescas da Praia do Futuro. Depois de um longo dia de uma agenda maluca, cumprida pela Clarinha fielmente ao lado do papai e da mamãe. Corria em casa, arrumava-nos rápido e íamos para um fim de tarde na praia. Já com dois anos, as perninhas roliças corriam pela areia, com um bracinho flexionado junto ao peito e o outro se movendo como que empurrando o vento para trás, coisa de quem tem pressa de viver. De longe, como que contemplando o melhor da vida, assistia à dança do nosso bebê sobre a areia da praia, iluminada pelos fracos e amarelados raios de sol. Lembro disso como quem degusta um bom vinho. Inebriado pelo gosto da vida. Sinto saudade do meu bebê.
Gostava de cantarolar seu nome, flexionando-o em diversas formas: “Clarinha, Clarita, Clariteira”. Seu riso fazia de mim um compositor incontrolável. Mas a melhor das farras era a de balançá-la segurando pelos tornozelos. Pra lá e pra cá para o desespero da vovó e o êxtase da Clarinha.
Tenho outra memória inconfundível, com gosto de camarão e o som do “Eu só quero chocolate” na voz de Tim Maia. Em Curitiba, no início das noites de todas a sextas-feiras, tínhamos um encontro marcado. Era a noite do papai fazer o melhor espaguete com camarão da cidade. Mas o melhor do prato era o preparo. Enquanto cozinhava, a Clarinha, já com os seus oito anos, colocava no som o Tim Maia cantando a nossa música. Cantávamos aos berros e dançávamos freneticamente na espaçosa cozinha do sobrado no Jardim das Américas. Seus olhos amendoados quase saltavam para fora.
Sinto saudade dessa Clarinha que mudou. Mas, confesso, estou deslumbrado pela mulher que vejo surgir. Não me atrevo mais às cócegas, nem aos beijos na barriga para arrancar suas mais gostosas gargalhadas. Seus lindos contornos de mulher agora se tornaram limites que antes não existiam. Agora só posso reverenciar o que vejo e torcer para que de vez em quando ela ainda queira um pouco de colo. Olho pra ela e mal consigo disfarçar minha admiração. Seus olhos graúdos são irresistíveis. Sua perspicácia em discernir as coisas a sua volta me enche de orgulho. Sua recente adesão ao meu flamengo, cujos jogos agora insiste em ver ao meu lado, é o melhor da festa. Sua alegria em estar com os amigos da Betesda e as várias programações da igreja acalma meu coração medroso.
Ela se tornou a Cacá da Gabriela e do Thales e a Ana Clara que desponta nos quinze anos cheia de beleza e personalidade. Hoje, sei o quanto gostava, apesar de me queixar, da pegação de pé da Clarinha. Mal conseguia ficar sozinho com a Bete. Agora cheia de amigos e gostos diversos, prefere a autonomia. É preciso partir. Deve ir. Fazer suas escolhas. Administrar suas mágoas. Descobrir outras alegrias. Construir seu destino. E voltar sempre que quiser.
Filha, divirto-me vendo-a tentando escolher uma profissão, um curso, tantos caminhos. Isso é uma delícia. Você deve desfrutar sem pressa e escolher sem perder o bom humor. A vida é complicada demais para ser levada muito a sério. É preciso se divertir um pouco com tudo. Como Jesus, comendo e bebendo com os amigos.
Clara, o amor é essa condição surpreendente de viver. Consigo listar sem dificuldades muitos erros cometidos por mim. Exigi mais que devia tantas vezes. Irritei-me outras além da conta. Cobrei o que você ainda não estava pronta para oferecer. Desperdicei momentos singelos e preciosos da vida com a minha ansiedade e expectativas. Coisas de um pai que ainda era um pouco menino quando se viu com uma Clarinha no colo. Mas minha alegria é garantida por uma verdade que nada pode tirar de nossa família: você é muito amada. E sei que o amor ultrapassa e encobre todas as nossas fragilidades. E todos os erros desaparecem entre tanta coisa linda que a gente vem vivendo junto. Que bom que você existe, Cacá.
Gostaria de protegê-la de tudo o que vejo ameaçá-la pela vida a fora, mas faria um mal maior. Roubaria de você o que é mais intenso na vida: a possibilidade vertiginosa de escolher e construir o destino. Foi assim que Deus nos criou. Isso gera algumas dores, mas faz de nós gente de verdade.
Mais solta e distante do que eu gostaria, mas muito mais intensa e mulher que já mais imaginei, sei que carrega na alma a certeza do nosso amor, os valores da nossa família e o Deus de seus pais. Tudo bastante para fazer de você uma mulher de alma doce, grave e sensível para Deus e todos ao seu redor. Aposto que você surpreenderá a todos com suas conquistas. Aposto que ainda experimentaremos alegrias não imaginadas. Aposto que você superará os piores obstáculos. Aposto na linda mulher, minha filha, minha amiga, meu amor. Aposto que você sempre voltará para o colo do papai (pelo menos de vez em quando, vai!).

Retirado de Elienai cabral Junior

2009/04/01

A andarilha das mercês

Filed under: Vale a pena ler... — mariogoncalves @ 6:14 pm

Uma história real

Não ajuntem tesouros na terra…

Ela ganhava a vida vendendo artesanato na rua. Fazia e vendia o que precisava para comer e dormir, um dia depois do outro. Juntava o pouco que sobrava até conseguir comprar uma passagem para outra cidade. E ia. Todos os seus bens, suas posses, roupas e objetos pessoais cabiam dentro de uma bolsa surrada que ela carregava nas costas.

Vocês não podem servir a Deus e às riquezas…

Foi enquanto ela andava por uma calçada do bairro das Mercês em Curitiba que eles se encontraram. Ele no intervalo do almoço, indo a um restaurante. Ela com seus artesanatos, num intervalo da vida. Ela ofereceu suas peças ao rapaz, que não se interessou.– Moço, você sabe onde eu posso almoçar barato por aqui?– Estou indo no restaurante mais em conta da região. Come-se bem por R$ 7,00.– É muito pra mim moço. Não tem outro?Não tinha. Mas o rapaz se ofereceu para pagar o almoço da andarilha.– Se você quer me ajudar, compre algo de mim, que aí tenho dinheiro pra almoçar.Comprou. E foram juntos ao restaurante. A moça, com um vestido simples e surrado, se sentiu constrangida na porta do estabelecimento, mas acompanhou o rapaz, por insistência dele. Serviram-se no buffet, sentaram-se e começaram a incrível conversa. Entre uma e outra pergunta, a mulher contou a impressionante história da sua vida.

Não andem ansiosos com o que terão para comer, beber ou vestir…

– Vivo assim moço. Não junto pra mim nada além do necessário para hoje. Minhas economias são somente pra me levar a um próximo lugar. Nada mais. Em cada cidade que chego, procuro logo a região mais pobre, mais carente, mais desamparada, e ali eu fico. Conheço as pessoas, converso, ouço, convivo. E logo começo a juntar alguns para ensinar. Ensino artesanato pra que tenham renda. Ensino a ler e escrever, crianças e adultos. Em alguns lugares consigo ajuda para montar oficinas onde ensinamos coisas que possam ser úteis pra quem mora ali. Depois de um tempo, junto novamente algum dinheiro e vou pra outro lugar. Tenho ido bastante pra Maringá, pras aulas de pedagogia na faculdade (!). Mas só assisto o que interessa. Porque não quero diploma não. O que quero é poder ajudar ainda mais quem precisa.

Olhem para as aves do céu… para os lírios do campo…

Confuso e extasiado, o rapaz pensava – quem é essa mulher? De onde vem essa bondade, esse compromisso com o próximo, esse desapego material? – Não resistiu a pergunta mais óbvia:– Você faz isso por quê? Deus tem alguma coisa a ver com sua motivação?– Ih, moço, eu tenho uma fé danada – ela respondeu, enquanto se abaixava buscando alguma coisa dentro de sua bolsa. Quando achou, esboçou um leve sorriso e encheu-se de confiança. Deitou sobre a mesa uma bíblia que parecia ter saído de uma centrífuga de roupas.– Minha motivação vem daqui. Das histórias de Jesus. Do que ele fez e ensinou. Do exemplo que deu. E eu não estou falando de igreja não. Nem de religião. Porque nessas igrejas que têm por aí, o pessoal diz que segue Jesus, mas eles não entenderam nada do que ele ensinou. Jesus andava no meio do povo, ensinando e ajudando as pessoas. Eu faço o que ele disse, sigo seus passos de verdade, porque foi isso que ele pediu, nada mais.

Sempre que o fizeram a um destes pequeninos, fizeram a mim…

O moço, que passou toda sua vida nas referidas igrejas, diligentemente envolvido nos programas, eventos, corais, grupos de crianças, adolescentes e jovens, fazendo cartazes e folhetos, suando e correndo para que tudo corresse perfeitamente, ficou envergonhado.

Sempre que deixaram de fazer a um destes pequeninos, deixaram de o fazer a mim…

Depois do almoço cada um seguiu seu caminho. Ela saiu de Curitiba no dia seguinte do encontro, indo pra outra cidade, seguindo os passos de Jesus. Ele ficou pra trás. Assim como eu.

A andarilha e o rapaz existem e o fato aconteceu em Curitiba, em janeiro de 2007.

Roubado descaradamente de A Trilha – Tuco Egg

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